São Paulo

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Nostalgia irresponsável

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Na semana anterior um novo ato de revolução teve início na Universidade de São Paulo, envolvendo dois juízos antagônicos, de um lado parte da FFLCH e de outro a Polícia Militar, que recentemente teve  permissão para adentrar na Universidade, onde até pouco tempo reinava tão unicamente a anarquia e o poder de marginais que habitam as redondezas da USP.

A principal reivindicação por parte de alunos da FFLCH e de outros cursos com nota de corte baixa (da qual muitos adentram graças a anos de cursinho e ficam no mínimo 7 anos para se formar, já que é difícil mesmo conciliar tempo para dividir entre  revoluções, invasões, atos ilícitos e estudo), é a liberação das drogas, mas é claro que dentro dessas mentes férteis sobra espaço para outras reivindicações, dignas do período Militar ou de Woodstock.

Sobra Irresponsabilidade, viaturas apedrejadas, muros pichados e todo tipo de vandalismo, infelizmente poucos ou nenhum acaba por responder, no máximo acabam por receber uma mísera advertência, ou coisa que o valha da universidade. Me pergunto porque não ocorre o mesmo que aconteceu em Londres há alguns meses atrás, onde diversos manifestantes foram incriminados devido aos atos de vandalismo, com suas imagens sendo exibidas a todo tempo nos noticiários, para que a população os reconhecesse e os denunciasse, assim como – devido a falta de burocracia do Common law e a mutirões de julgamento- foram julgados em um curto espaço de tempo.

Esses estudantes devem sim, responder não apenas criminalmente se for preciso, mas civilmente, já que é necessário o retorno ao status quo ante, ou seja o ressarcimento dos bens danificados. Por fim, imagine esses estudantes ao se formar e começar a lecionar nas famigeradas escolas públicas, azar da educação.

Mas engraçado mesmo, é que diante de certas atrocidades, ninguém se manifesta diante de questões úteis, como é o caso das obras do novo parque de museus da USP onde para isso 1.328 árvores são devastadas, uma área equivalente ao parque da Aclimação ou ao Parque Trianon, sendo que existem outras áreas onde o impacto ambiental poderia ser menor. ”O problema é que serão cortadas árvores adultas, robustas, que trazem um grande benefício para o clima daquela região. Já essas mudas só trarão efeito similar daqui a 20 ou 30 anos”, disse o ambientalista Carlos Bocuhy ao Estadão.

E assim caminha a humanidade, mais vale portar uma saca de maconha no bolso e vestir uma camiseta do Stalin, do que  se importar com a preservação de interesses coletivos, como no caso a Mata atlântica, o cerrado e o meio ambiente daquela região. E assim, todo ano 0,11% dos alunos fingem representar a universidade e ás vezes conseguem, mas de forma a denegri-la.

Escrito por guiatencio

novembro 5, 2011 em 4:04 pm

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E a confiança do Importador ?

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Na última quinta feira foi anunciado o aumento do imposto (IPI) sobre os veículos importados em trinta por cento.  Isso se reflete principalmente nas montadoras que não tem fábrica – de montagem- em nosso país. Os problemas gerados acabam sendo inúmeros, tanto para o lojista, para o consumidor e principalmente para a imagem do país.

O que acontece é que, as montadoras, principalmente as orientais, estavam nadando de braçadas em nossa economia, como é o caso das chinesas e coreanas, essas últimas aliás, com filas de espera para os seus exclusivos modelos com tecnologia de ponta a  preço cabível.

Não é a primeira vez que essa mesma história acontece, na década de 90, com a nova abertura dos portos, diante das importações, feita pelo então presidente Fernando Collor, desembarcava no país uma série de marcas e modelos importados muitas vezes com preço inferior aos nacionais.  Porém, no final da década, principalmente as montadoras coreanas pararam de operar no país, vindo a falência, como foi o caso da Asia Motors. É bom recordar, que a Hyundai hoje é vendida por representantes da marca, como no caso a Caoa, isso vem a ocorrer porque a Hyundai tem uma série de dívidas, já que a mesma em sua sede, é dona da também coreana KIA que assumiu a Asia Motors, a qual responde por uma série de tributos referentes a esse período da década de 90, quando tentou implantar uma fábrica, de forma frustrada, no nordeste brasileiro.

Nessa época, o maior problema, além dos impostos, foi a alta do dólar. Que hoje, por estar em baixa, alguns dizem ser devido ao governo Lula, o que não passa de uma visão falha, já que essa situação é apenas fruto da economia provinda do governo Itamar Franco, com seu então ministro Fernando Henrique Cardoso. O que acontece é que, propositalmente o Estados Unidos seguindo o caminho da China, desvalorizou a sua moeda para que, com isso, suas vendas aumentassem e muito.

O que tende a acontecer com esse grande aumento na tributação de impostos, que não deve em si atrapalhar muito a Hyundai, já que a mesma montou uma fábrica em nosso território para a produção do antigo modelo Tucson, e com isso não será prejudicada como as outras. Já para as não confiáveis montadoras chinesas, seus carros tendem a perder mercado, as peças e  seus serviços devem ficar cada vez mais escassos, sem falar na desvalorização do modelo seminovo.


Os Chineses aproveitaram, assim como outras marcas, para despejar seus produtos em um mercado emergente como o nosso, o que já aconteceu também no período militar, onde o Brasil era considerado uma ilha de prosperidade em um mar de turbulência, e dias depois, foi considerado uma ilha de turbulência em um mar de prosperidade. É só ver a quebra atual do mercado americano e do mercado europeu, e compará-los ao cenário atual de nosso país, para perceber o quão parecida é essa situação, que infelizmente pode tornar a se repetir.

O Brasil inúmeras vezes já chegou a não gozar da confiança do comércio internacional, e mais uma vez isso acontece, as importadoras devem estar se perguntando para onde foram os benefícios oferecidos  para a venda de seus produtos.  Por outro lado, carros com péssimas avaliações em teste de segurança e dignos apenas de mercados emergentes, ficam menos competitivos e talvez mais raros em nossas ruas, já que perdem em seu único apelo, o preço.

Escrito por guiatencio

setembro 18, 2011 em 7:06 pm

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Adeus, Itamar

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Em 2 de Julho de 2011 faleceu o ex presidente Itamar Franco, pouco lembrado, até então era lembrado não por ter feito um sucessor, mas por seu sucessor, Fernando Henrique Cardoso, ter feito um antecessor, ele, Itamar Franco. Mágoas a parte, Itamar  foi o grande fiador do Plano Real, que até pouco tempo Lula tinha tornado como uma criação sua, ao dizer em tom arrogante a frase: “nunca antes nesse país…”, mesmo o PT  tendo sido inicialmente contrário ao plano.

Itamar entrou por sorte na presidência, porém com seu talento demonstrou ser o melhor presidente da atualidade, no momento em que assumiu o cargo o país enfrentava não apenas uma grave crise econômica, tendo já ocorrido o confisco das poupanças , que tinham um valor superior a atuais cinco mil reais em conta, e uma inflação recorde, que fazia com que os produtos mudassem de valor diversas vezes ao dia. Existia também uma forte crise moral no país, que andava literalmente depressivo diante de tal situação econômica e política, as quais só vieram a melhorar com o impeachment de Fernando Collor e a posse de Itamar.

Itamar Franco, tinha literalmente a franqueza em seu estilo público e de governar, não admitia corrupção e agia conforme os seus princípios, se arrependeu com FHC diante das privatizações, o qual, se não tivesse sido indicado como Ministro no governo de Itamar, apenas seria conhecido como um professor universitário, já em Minas Gerais como governador, lutou para que não houvesse a privatização das Furnas, ameaçando até alterar o curso dos rios que a abasteciam, caso ela ocorresse, foi um governador marcado pela estatização, mas principalmente pela fidelidade aos seus ideais.

O plano real foi o único capaz de finalmente acabar com a inflação desenfreada que ocorria desde o regime militar, onde diversos planos já haviam sido implantados e consequentemente fracassados. Certamente que, no final da década de 90 e início dos anos 2000, no governo de Fernando Henrique Cardoso, o dólar atingia a maior alta dos últimos tempos e vivemos uma crise, porém logo no início de sua implantação, convivemos com um período de estabilidade e de dólar baixo, o que se confirmou nos tempos atuais.

Itamar nasceu em um navio de nome ITA, na Bahia, porém sempre se considerou mineiro, ultimamente exercia o mandato de senador da república pelo Estado que tanto amou, no vídeo abaixo é possível ver o seu tom franco e verdadeiro, em um momento recente:

 

Logo de início ao ser indicado a presidência pela constituição, fez uma reunião com todos os líderes de partido, fazendo a seguinte proposta de convocar as eleições, uma nova eleição presidencial,  porém ninguém quis. Muitos quando lembravam de Itamar, só o faziam pelo seu penteado ou pela sua fama de mulherengo e suas participações em carnavais e, infelizmente esqueciam do grande homem, que este o foi para toda a política, atualmente, após seu falecimento, nos faltam bons exemplos.

Escrito por guiatencio

julho 9, 2011 em 6:45 pm

Violência explode no Campus

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O Título desse post é mesmo título da matéria no Jornal do Campus (www.jornaldocampus.usp.br), assinado por Clara Roman e Cleyton Villarino, em sua edição da segunda quinzena de abril de 2011.

O que mais me indignou ao ver a reportagem, foi o excesso de senso comum e falta de aprofundamento no tema, vergonhoso para algo feito por estudantes de tão renomada universidade. A foto inicial me aborreceu logo de início, ao constar na legenda: “Ruas escuras e árvores copadas favorecem a ação de bandidos e assaltantantes no campus”.

Já dizia o poeta polonês Czeslaw Milosz, ”Não quero ser um deus ou um herói, apenas tornar-me uma árvore, crescer um longo tempo, e não ferir ninguém”. Como alguém culpa uma indefesa criatura dessas, que além de nos trazer qualidade de vida, muitas vezes nos traz frutos e sempre melhora as condições climáticas e diminui a poluição tão acentuada em um centro urbano como o nosso?!

Diversas ruas e bairros da cidade de São Paulo não tem nenhum verde sequer, e mesmo assim são consideradas regiões perigosíssimas, chegando a ocorrer até estupros livremente. Dizer que as árvores copadas são responsáveis pela violência acaba por ser uma premissa, totalmente errônea que exclui diversos aspectos que levariam ao crime, a Universidade de São Paulo é cercada por favelas, onde diversos moradores, sem a mínima condição dos princípios da dignidade da Pessoa humana, tais como as mínimas condições sociais e econômicas, direito a educação, igualdade, etc, marginalizadas recorrem ao crime.

A USP é composta em sua maioria por alunos endinheirados, já que para adentrarem a essa instituição passaram pela cultura do vestibular, onde é necessário se estudar em um bom colégio particular ou fazer um cursinho pago, principalmente para cursos com notas de corte superior, como é o caso dos cursos ministrados pela FEA onde estão ocorrendo os recentes sequestros. O Problema da violência em si é mesmo sério, furtam até as calotas dos veículos e os furtos de carros são mais comuns do que se parece.

Por fim, vejo que a solução não é simplesmente podar árvores, ou acabar com todas as praças, mas sim toda uma série de soluções complexas e demoradas, como a mudança da educação pública sucateada, desde o ensino fundamental. Só Vigiar e Punir não basta enquanto não for dado para todos a mesma oportunidade, as mesmas condições e o mesmo ponto de partida.

Escrito por guiatencio

maio 2, 2011 em 1:52 am

A violência na sociedade contemporânea

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O triste recente caso da violência em uma escola do Rio de Janeiro, onde mais de uma dezena de crianças foram brutalmente assassinadas, me fez refletir e criar esse novo post.

Vamos começar pelo assassino, que alguns defendem que seria um psicopata, talvez sim, já que pela sua frieza demonstrava não ter uma relação de afetividade com ninguém. Por outro lado não são só psicopatas que cometem crimes, existe gente que é má por essência. Wellington Menezes de Oliveira era uma pessoa fria, que vivia em meio a sua individualidade com a falsa sensação de ser um deus, porém viveu apenas como um bruto que fingia se destoar da sociedade.

Sociedade Individualista

A Sociedade atual ficou abalada ao saber do crime, porém o mais comum é perceber como a individualidade está presente nos dias atuais, a falta de simpatia generalizada e o egoísmo na sua forma mais pura e cruel são vivenciadas a todo instante. Ouço continuamente a frase: “não sei ser simpático (a), não gosto das pessoas, só me enturmo com quem tem gostos semelhantes, não sei ser falso (a) por isso sou rude”. Será que é impossível ao menos ser educado e respeitar o próximo?! Dessa forma chegará um dia que todos iremos viver como  falsos deuses e verdadeiros brutos.

Importação do Estrangeiro

Nos Estados Unidos já é muito comum esse tipo de crime, uma forma de vingança pública como ocorria em tempos antigos, onde não é atingido apenas o ofensor, mas também seu grupo de colegas.  Para variar, o Brasil resolveu copiar o  pior do que os países desenvolvidos podem ou puderam disponibilizar, assim como foi feito com as Usinas Nucleares -onde vale lembrar o atual caso do Japão e  o da União Soviética algumas décadas atrás-, com o Capitalismo Selvagem e o Desenvolvimento não sustentável adquirido nos anos de chumbo.

Conformismo

A mídia repete inúmeras vezes a notícia, porém como dizia Adorno, os meios de comunicações só servem para conformar e pacificar o Homem, e o Homem contemporâneo deveria se sentir (mas não se sente) responsável até mesmo por crimes como o Genocídio. Tudo acaba sendo normal, as pessoas se conformam e se trancam em suas “bolhas” físicas e psíquicas.

Controle do Instinto Selvagem

Thomas Hobbes, um dos famosos contratualistas, defendia o surgimento do Estado, diante da Sociedade, como uma forma da população ceder parte de sua liberdade em troca da segurança, da proteção do Estado, já que sem uma forma de Governo, o Homem instintivamente age de acordo com o seu egoísmo e toma posse de tudo e de toda a liberdade do próximo, “O Homem é o lobo do Homem”, ou seja, mais valia ceder apenas uma parte de sua liberdade ao monarca absolutista, do que ceder toda a liberdade ao inimigo e além disso viver uma falsa sensação de liberdade, cercada de temores e perigos constantes. Hoje percebo que o homem, diante de sua falsa democracia, democracia que aqui nunca existiu já que uma sociedade ignorante vive manipulada e subordinada, vive em seu estado mais selvagem possível, no qual é impossível conter os impulsos do ID e o Superego acaba por não moldar o Ego do indivíduo.

Religião

A Religião e a Moral poderiam ser alguns dos caminhos para esse molde, porém não é o que vem ocorrendo, mostrando mais uma bola fora do apresentador televisivo sensacionalista Datena, que equivocadamente disse que os crimes são cometidos por quem não tem Deus no coração, por Ateus. Porém, em diversos países desenvolvidos como os Escandinavos, grande parte da população é atéia e um número muito inferior de crimes ocorre, em relação a países conservadores que tem uma religião própria.

Adentrando aos presídios nacionais, percebemos a grande quantidade de “Nossas Senhoras” tatuadas nos criminosos, onde em cada lugar que for tatuada passa a ter um significado diferente:

“Tatuada nas mãos, braços ou coxas identifica elemento praticante de homicídio.”


Prosseguindo com o assunto da religião, vale lembrar que o criminoso Wellington que assassinou as crianças na escola do Rio de Janeiro, já havia sido Testemunha de Jeová  - religião que não permite a doação de sangue, até em casos de vida ou morte, fazendo com que o médico que não respeite a decisão dos familiares testemunhas, seja processado por eles , ou que seja processado por crime omissivo, por deixar o paciente morrer, quando era possível e fazia parte de sua obrigação salvá-lo -. Wellington também defendia alguns preceitos religiosos como a “pureza”, proveniente do celibato.

A Religião muitas vezes também defende o conformismo e a falta de atitudes, muitas vezes os crentes ou fiéis em meio a sua total alienação, se esquecem que Jesus Cristo foi certamente um “rebelde”, no qual fazia parte da “guilda” de João Baptista, Jesus era contrário a imbecilidades como o pagamento de dízimos, vale-se lembrar de quando ele literalmente “chutou tudo” em um templo de oração, dizendo que o Pai dele não queria aquilo,  coisas como violência, dinheiro e desigualdade.  Viveremos tempos difíceis enquanto as religiões continuarem a segregar a população em fiéis de tal crença e os infiéis.

O Cabra Macho

A Violência e a Selvageria ainda são muito comuns, e não só no Rio de Janeiro, em Estados do Nordeste ainda vivem livres matadores profissionais, que algumas vezes cometem crimes em outros Estados e vivem livremente no Nordeste ou o contrário. Graciliano Ramos retratava a selvageria e a brutalidade, aliada a ignorância que produzia a violência, em sua renomada obra “Vidas Secas”, assim como no recente “1808″ de Laurentino Gomes, percebe-se por relatos de outros historiadores, que o habitante daquela região muitas vezes era vingativo e bruto. Recentemente tivemos um caso de preconceito, onde uma estudante universitária após deixar mensagens equivocadas em sites de relacionamento foi ameaçada, e logo em seguida alguém com o sentimento de vingança conseguiu adentrar a faculdade com um facão.  Até quando existirá essa figura do “cabra macho” vingativo que resolve tudo dessa forma?

Conclusão

É triste, porém infelizmente prevejo que ainda teremos diversos estudantes sendo sepultados e o caso se repetirá. Lembram-se quando começou aquela onda de invadir armado as salas de cinema? Pois é… todo ser marginalizado pela sociedade ou bruto por natureza quer ter seu nome estampado em um ato de fama. Enquanto a sociedade continuar individualista, conformista, seguindo preceitos incoerentes, e achar bonito impor o poder de forma violenta, não sei onde chegaremos… É um grande retrocesso, estamos verdadeiramente na Idade das Trevas, precisamos urgentemente de um Iluminismo Pacificador.


Escrito por guiatencio

abril 9, 2011 em 2:36 pm

As pedras no Caminho

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Fonte: Revista Pesquisa Fapesp

CIÊNCIA

| GEOLOGIA

As pedras no caminho

Minerais encontrados pela primeira vez no Brasil já são 54

Carlos Fioravanti

Edição Impressa – Fevereiro 2011

 

“Nasceu!”
Daniel Atencio disparou um e-mail com esse título no dia 2 de novembro de 2010 para comunicar, como ele explicou em seguida, “o nascimento de minha décima segunda filha, carlosbarbosaíta, que veio fazer companhia a chernikovita, coutinhoíta, lindbergita, matioliíta, menezesita, ruifrancoíta, footemineíta, guimarãesita, bendadaíta, brumadoíta e manganoeudialita”. Professor do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP), Atencio tinha acabado de receber uma mensagem da Associação Mineralógica Internacional aprovando seu pedido de registro do novo mineral, o 54o encontrado pela primeira vez no Brasil e sem registros em qualquer outro país. Novas espécies de minerais, chamadas minerais-tipo, aparecem agregadas a minerais de valor comercial, as gemas, como topázio e turmalina, comuns em Minas Gerais. Só duas gemas, porém, o crisoberilo e a brazilianita, tiveram o registro inicial feito no país.

Novos minerais exibem composições químicas ou arranjos atômicos inusitados, inicialmente sem aplicações comerciais. São encontrados com frequência em rochas ígneas conhecidas como pegmatitos, formadas nas últimas etapas da cristalização do magma no interior da Terra. Das primeiras fases do resfriamento de um magma, resultam rochas e minerais mais simples e homogêneos. À medida que o magma cristaliza, os elementos químicos mais raros formam uma espécie de sopa residual. Em um segundo momento, esse líquido residual se solidifica e dá origem aos pegmatitos, muitas vezes ricos em fosfatos. No Brasil, uma das áreas mais ricas em pegmatitos – e, portanto, em novas espécies de minerais –  é o leste de Minas. Em Divino das Laranjeiras, um dos municípios dessa região, foram encontradas quatro, incluindo a atencioíta, mineral marrom caracterizado pelo russo Nikita Chukanov, e a brazilianita, uma gema de cristais amarelo-esverdeados. Da vizinha Galileia saíram 10 minerais novos.

Desde dezembro de 2006, quando saiu de uma pedreira vizinha a um campo de futebol do município de Jaguaraçu, leste de Minas, a carlosbarbosaíta fez um percurso que mostra como encontrar novas espécies de minerais combina pa­ciência, amizade e muita colaboração entre especialistas não acadêmicos e acadêmicos. Luiz Menezes, engenheiro de minas, colecionador e comerciante de minerais que coletou o que lhe parecia ser um novo material, fez as primeiras análises em um microscópio eletrônico da Universidade Federal de Minas Gerais. Como não pôde ir adiante, mandou sua amostra para a USP. Atencio examinou-a por raios X, confirmou que se tratava de uma espécie nova de mineral, mas também não conseguiu avançar: os cristais de 50 x 10 x 5 milésimos de milímetro eram minúsculos demais, dificultando as análises. Pela mesma razão, durante quatro anos, pesquisadores da USP de São Carlos, do Canadá, da Rússia e dos Estados Unidos que entraram na história avançavam pouco, até que, em abril de 2009, Mark Cooper, da Universidade Manitoba, Canadá, conseguiu um equipamento de raios X que finalmente completou as análises, elucidando a estrutura atômica do mineral, cujos cristais formam longas agulhas ricas em óxido de urânio e nióbio.

A pedido de Menezes, Atencio escolheu o nome para o novo mineral, em homenagem a Carlos do Prado Barbosa, engenheiro químico e colecionador de minerais falecido em 2003 que participou da identificação da bahianita, reconhecida como novo mineral em 1978, e da minasgeraisita, de 1986. Geó­logos vivos também são homenageados, embora, como os biólogos, não possam pôr o nome deles próprios em espécies novas que descobrirem.

A menezesita, mineral rico em bário, zircônio e magnésio, ganhou esse nome em reconhecimento ao trabalho de Menezes, que mora em Belo Horizonte e vive enviando coisas interessantes para geólogos. Reconhecida em 2005 e publicada em 2008, a menezesita apresenta uma estrutura atômica similar à de um composto que havia sido sintetizado em 2002 para combater o vírus causador da Aids.

A luz dos minerais – A coutinhoíta, mineral amarelo como o enxofre, um silicato de urânio e tório, que Atencio e Paulo Anselmo Matioli, geógrafo formado pela Universidade Católica de Santos, trouxeram de Galileia, Minas, é outro exemplo de gratidão aos pioneiros – neste caso, a José Moacyr Vianna Coutinho, professor da USP que, no final dos anos 1950, ao voltar da Universidade de Berkeley, Estados Unidos, disseminou no Brasil o uso da microscopia polarizadora, que indica o desvio da luz e, a partir daí, as estruturas atômicas, facilitando a identificação de minerais no Brasil. Como resultado, ele participou da caracterização de nove dos 16 novos minerais brasileiros identificados nos últimos oito anos, incluindo a carlosbarbosaíta. “Ajudo sempre que posso”, diz Coutinho, aos 86 anos, ainda assíduo em sua sala no Instituto de Geociências da USP.

“Coutinho, além de um olhar fantástico no microscópio, tem uma habilidade imensa para desenhar cristais e orientações ópticas dos minerais”, diz Atencio, mostrando os desenhos de artigo de 1999 em que eles e outros colegas descreveram a hainita, de Poços de Caldas, na divisa de Minas com São Paulo. Em outro canto da estante de metal estão as amostras de sílex que Atencio coletou aos 10 anos de idade de uma obra próximo à sua casa em São Bernardo do Campo, em um episódio que o fez escolher mais tarde ser geólogo.

Duas por ano – Muitos minerais novos são encontrados em apenas um lugar, mas um mineral avermelhado com um dos nomes mais difíceis de pronunciar, tupersuatsiaíta, já tinha sido identificado na Groenlândia e na Namíbia antes de 2005, quando Atencio, Coutinho e Silvio Vlach, também da USP, relataram que o haviam encontrado em Poços de Caldas. Às vezes, a descrição oficial de uma nova espécie de mineral concilia descobertas paralelas. É o caso da bendadaíta, mineral de cristais alongados esverdeados encontrado em Portugal, no Brasil, no Chile, em Marrocos e na Itália, que geólogos de sete países – Áustria, Alemanha, França, Rússia, Austrália, Brasil e Estados Unidos – apresentaram em junho de 2010 na Mineralogical Magazine.

“Às vezes é mais fácil colaborar com pesquisadores da Rússia e da Alemanha do que daqui”, diz Atencio. Segundo ele, a principal razão é a escassez de especialistas na identificação de minerais – menos de uma dezena no Brasil, enquanto a Itália abriga cerca de 200 e a Rússia, bem mais. Mesmo assim, o número de novas espécies de minerais identificadas originalmente no Brasil está crescendo. Até 1959 havia no país apenas 19 espécies de minerais consideradas válidas, a maioria descrita apenas por estrangeiros. De 1959 a 2000, a comissão de novos minerais da Associação Mineralógica Internacional reconheceu 18 espécies novas, com uma média de 0,43 por ano, e nos últimos oito anos, outras 16, subindo a média para duas por ano. Segundo Atencio, o Brasil está entre os países em que atualmente se descobrem mais minerais novos, quase sempre próximo dos Estados Unidos. A Rússia é o país onde mais se descobrem minerais novos.

Não é só por falta de especialistas que as descobertas não proliferam. Nas pedreiras, um procedimento comum é tratar as gemas, de valor comercial, com banho de ácido, para remover as impurezas, que incluem possíveis novidades. Os interessados em novos minerais às vezes conseguem chegar antes do banho de ácido. Outro problema é a transformação do espaço. Atencio conta que em 1991 descreveu com Reiner Neumann, o primeiro estudante que orientou, Antonio Silva e Yvonne Mascarenhas, seus colaboradores do Instituto de Física de São Carlos da USP desde os anos 1980, minerais raros de urânio, encontrados em Perus, no município de São Paulo. “Devia ter muito mais”, diz ele, “mas o Rodoanel cobriu tudo”.

 

USP e um mar de decadência (Um dossiê)

com 3 comentários

Me deparei recentemente com duas notícias nada animadoras sobre a Universidade de São Paulo, a mais atual dizia: “USP cai 84 posições no ranking mundial”, a anterior dizia que, a universidade não teve nenhuma pesquisa destacada em um especial de seis páginas dedicada a ciência brasileira, publicada na revista Science Magazine.

Como Funcionam a Contratação de Professores e as Eleições Indiretas

O Problema não é a falta de pesquisa, existem diversos pesquisadores empenhados na pesquisa em si, porém de outro lado existe uma relação de superego, onde uma máfia de pseudo-cientistas e/ou professores decide por “censurar”, escondendo ou denegrindo trabalhos e pesquisas de quem não faz parte desse bloco. Um exemplo é a eleição indireta para professor titular, último cargo na categoria de professor, onde uma banca de “mafiosos” e pseudo-professores comprados irão decidir como detentor do título, o que faz parte desse bloco. Normalmente, existe uma reunião com o diretor do departamento, onde se decidirá, anteriormente, quem deverá ser o indicado. Sendo indiferente o número de pesquisas, trabalhos públicados, etc. O que vale aqui é a politicagem. Na USP existem coisas que nem a vã filosofia explica. (Muito menos os bicho grilos com efeitos alucinógenos, presentes na universidade).

Veja abaixo como funciona a eleição para professor Titular na Universidade de São Paulo (Clique para ampliar).

Acompanhe a continuação no segundo quadro (Clique para ampliar).

Geralmente o Candidato 1 , que é um mestre na Disciplina que leciona, nunca será convocado para escolha de novos professores contratados. Assim vemos um ciclo sem fim, onde indiferem as qualidades, importante mesmo é a submissão e o respeito aos líderes antigos, que se renovarão, por meio da “nova máfia”.

O Que a Máfia é capaz de fazer

Quando governam seus institutos, geralmente o diretor se dedicará a atividades inúteis ou erradas, como o corte de árvores do jardim, mudança do paisagismo, ou até mesmo a inversão dos banheiros. Algumas vezes ele pode vir a retirar o café dos professores.

Também se dedicam a elevar o cargo de seus companheiros, ou concordarem que eles não devem dar aula, afinal isso deve cansar muito para um professor. Outras vezes verbas importantes como a de pesquisas, pós graduação, acabam por ser desviadas, servindo para compra de ar condicionado para sala do diretor, tapetes, ou adereços à grandes figuras pertencentes a máfia.

A Máfia também comanda laboratórios, inventando desculpas aos professores não pertencentes ao meio, fazendo assim com que eles não consigam usar diversas máquinas importantes para a conclusão de trabalhos de pesquisa.

Os Tipos de Professores existentes na USP (Clique para Ampliar).

Os Grevistas

Todo ano é a mesma história, uma pequena minoria, apoiada por 1% de professores com certo saudosismo comunista, resolve fazer sua baderna, o diálogo inexiste, é preferível resolver com invasões, armas (até picaretas) e toda a violência. É aquele velho caso de se bater nos presidiários nas cadeias, não resolve nada, só piora a situação, porém sempre se repete. Nesse longo período de greve (que ocorre geralmente em instituições que preparam o aluno para ser um educador, que irá direto para o magistrado das escolas públicas, onde se vê mais greve, diga-se baderna que só prejudica os alunos) costumam ocorrer shows com grande apologia ao uso de drogas e algumas assembléias com pseudo-filosófos, sempre apoiados pelos alunos que chegam na faculdade com a “cultura do vestibular”, sendo fáceis de serem manipulados. Os famosos papagaios do meio acadêmico.

QG DAS GREVES

E assim caminha a USP, os que lutam por algo, lutam pelas drogas, um exemplo é o DCE que luta pela liberação de bebida alcoólica na universidade, ou dos jovens pseudo revolucionários, que lutam pelos duendes de seu exército de Alice no País das Maravilhas. Vale lembrar que muitos desses não estão nem aí para qualidade de ensino, pela decadência em que vive a universidade, afinal estão na USP (cada vez mais fácil de entrar com a nota de corte caindo cada vez mais) é só alegria, festas e deixa o resto pra lá… Afinal o culpado de tudo é o Reitor não é mesmo?! Na cabeça desses estudantes a resposta é uma afirmativa.

Assim sendo, a Universidade do México acabou por superar a USP.

Escrito por guiatencio

dezembro 24, 2010 em 5:26 pm

Calçadas ecológicas

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De: Veja São Paulo

Por Mauricio Xavier [com reportagem de Catarina Cicarelli, Isabella Villalba e Manuela Nogueira] | 08/12/2010

Para compensar o impacto causado pelas obras na Marginal Tietê, funcionários da Dersa plantam espécies nativas em passeios públicos

As plantas ainda estão pequenas, mas São Paulo ganhou 30 quilômetros das chamadas calçadas ecológicas desde janeiro. Para compensar o impacto causado pelas obras na Marginal Tietê, funcionários da Dersa plantam espécies nativas em passeios públicos de nove bairros próximos à via: Penha, Mooca, Vila Maria, Santana, Sé, Lapa, Casa Verde, Freguesia do Ó e Pirituba. Das 83 000 mudas prometidas, 62 000 já foram para a terra. A expectativa é que, em dez anos, se transformem em árvores de 15 metros de altura. Até fevereiro, 220 quilômetros de calçadas verdes devem ser entregues — 97 estão quase prontos. Com o objetivo de melhorar os índices de umidade relativa do ar, o projeto teve um investimento total de 10 milhões de reais.

Me pergunto, qual o motivo de não criarem em toda a cidade calçadas ecológicas desse tipo, sempre que tiver espaço?! Quanto tempo será que elas irão durar, já que a população brasileira diante de sua ignorância considera árvores ou qualquer espécie vegetal como “mato”, que significaria sujeira, ou algo que não deve fazer parte da civilização, algo primitivo, algo ultrapassado. É preciso antes de tudo conscientizar a população e fazer com que ela zele pelas espécies, já que nem a prefeitura cuida devidamente, vale lembrar o caso dos engenheiros agrônomos (muitas vezes diante do curso falho, que não se pauta nas humanidades e valores em geral, se destacando apenas a parte matemática ou científica, que trata tudo como meros objetos sem valor) que cobram propina para que  se faça o corte ilegal das mesmas.

Na Europa e diversos países desenvolvidos se concilia desenvolvimento, tecnologia e toda a modernidade, com a preservação do meio ambiente, principalmente das árvores e parques urbanos, que geram além de beleza, qualidade de vida. Quem está ultrapassado e não faz parte da civilização, são as pessoas que pensam de uma forma retrógrada como nos tempos do regime militar, onde o capitalismo selvagem e a sede por infra estrutura atropelavam toda a vegetação.

Como é tudo que eles (os brasileiros) sabem fazer, insultar e reverenciar (os estrangeiros), às vezes ao mesmo tempo, como disse Rubem Fonseca na crônica H. M. S. CORMORANT EM PARANAGUÁ, quem sabe nós não começamos a reverencias os países desenvolvidos nessas atividades positivas… Em vez de só reverenciar países como os Estados Unidos, com seu consumismo doentio.

Escrito por guiatencio

dezembro 7, 2010 em 2:47 pm

Publicado em Cidade

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Abaixo-assinado

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Obrigado a quem divulgou e assinou o abaixo assinado, dentre eles músicos como Tom Zé!

Para quem não assinou, saiba do que se trata no post anterior

Clique aqui para assinar

Créditos ao Ricardo Cardim do blog: http://arvoresdesaopaulo.wordpress.com/

Escrito por guiatencio

dezembro 7, 2010 em 2:22 pm

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Abaixo-assinado para novo parque na área central

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De: http://arvoresdesaopaulo.wordpress.com/
Na adensada região central da cidade de São Paulo, onde a verticalização e impermeabilização do solo não deixaram espaço para o verde e qualidade de vida, ainda existe um grande terreno (23.700 m²) repleto de grandes árvores que vem tentando escapar da sanha das construtoras. O “Parque Augusta”.

Antiga área do colégio francês feminino Des Oiseaux, de 1907 a 1967, virou alvo de hipermercados, torres de 38 andares e outras aberrações urbanas. Além da importância como área verde, refúgio da fauna e espaço para convívio, apresenta uma peculiaridade – o último lugar na região onde se pode observar o céu e horizonte sem monstros de concreto armado – e isso não tem preço em São Paulo.

Assine a petição para implantação definitiva do Parque Augusta:

Clique aqui para assinar

Local: Rua Augusta, entre as Ruas Caio Prado e Marquês de Paranaguá, em Cerqueira César – Centro.

Ricardo Cardim

 

 

Escrito por guiatencio

dezembro 5, 2010 em 10:59 pm

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